Não vai ser dessa vez que Bruno Barreto, cineasta brasileiro, dirigirá Kate Winslet. A atriz britânica foi convidada para participar de A Arte de Perder, filme que começa ser rodado no segundo semestre, mas ela não topou participar do projeto. O motivo seria o conflito de agenda, segundo informou o jornal Folha de São Paulo.
- Ela leu o roteiro e adorou. Mas só estaria disponível em julho de 2012, disse o cineasta.
Bruno já dirigiu longas como Úlima Parada 174 e Bossa Nova.
Enquanto isso sua minisserie recebe criticas. Os DVDs de “Mildred Pierce”, série estrelada por Kate Winslet e Evan Rachel Wood, merecem ficar na sua estante ao lado de filés mignons, como sua coleção de “Sopranos”. A adaptação do romance de James M. Cain (publicado em 1941) já tinha virado um filme estrelado por Joan Crawford em 1945. Transformada em programa para a TV, a história está no ar no Brasil na HBO e merece toda a atenção do assinante.
Longe da hiperatividade das produções policiais que treinam o espectador para desejar velocidade, o programa é lento, às vezes até demais. “Mildred Pierce” tem em vista apenas a tensão-limite que une — e repele — mãe (Winslet/Mildred) e filha (Wood/Veda) envolvidas numa relação estragada. A narrativa não se passa num único cenário, como “In treatment”, restrito às quatro paredes de um consultório de psicanálise. Ainda assim, tudo é introspecção. As atenções ficam centradas nas discussões, na crueldade e capacidade de manipulação da filha, na submissão absoluta da mãe, no desespero das fricções morais insuperáveis entre elas. “Mildred Pierce” mira no sofrimento imenso, joga luz sobre as entranhas familiares e olha muito mais para dentro que para fora.
Mildred é uma valorosa self made woman dona de restaurantes nos anos 30, em Glendale, na Califórnia. Corajosa o bastante para descartar o malsucedido casamento com um marido infiel, ela consegue montar um próspero negócio e leva a vida com sucesso, mesmo depois da morte da filha caçula. Mas a ligação doentia com Veda a põe em xeque constantemente.
Veda é ambiciosa e cruel. Mildred, amorosa, suplica pelo afeto da filha mesmo que isso signifique abrir mão da altivez. Porém, a ligação das duas tem indícios de simbiose, o que revela um cordão umbilical mal cortado. Tudo isso faz com que uma pergunta paire no ar o tempo todo: qual é mesmo a origem do mal?
A câmera é lenta e o ambiente, melancólico, em contraste com a ensolarada Califórnia. Impossível não lembrar de histórias do escritor americano Philip Roth, que retratou tão bem relações apodrecidas entre mães e filhas em romances como “Casei-me com um comunista”. Meu conselho: leia os livros (de Roth) e veja a série.
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